domingo, 22 de março de 2009

Devo sentir o peso da culpa?


Salvo pelo determinismo, que segundo Baum (2006) é a noção de que o comportamento é determinado unicamente pela hereditariedade e pelo ambiente, afirmo que não tenho culpa.
Habitualmente os seres humanos respondem aversivamente à inabilidade de outrem em dadas situações como, por exemplo: gritar com a garçonete desastrada, bater no filho por tirar notas baixas, deixar de falar com o namorado por ter esquecido o primeiro aniversario.
O sentido da culpa é atribuir inteira responsabilidade ao sujeito malsucedido como se este fosse capaz de perceber e controlar todas as variáveis no ambiente que se comporta. Entretanto sabe-se que isso é pouco provável. A visão de um livre-arbítrio (uma estratégia de controle bastante utilizada por religiosos) é um grande contexto para a culpabilização.
Sempre que erramos com alguém e esse alguém consequentemente nos pune dizemos ficar com um sentimento de culpa, não que a culpa exista, mas nos sentimos assim porque aprendemos a classificar os efeitos da punição (o grito do cliente, dor por apanhar da mãe, ser ignorado pela namorada) de acordo com nossas respostas emocionais, que variam de sujeito pra sujeito, logo, assim que me saiu malsucedido e diante de alguém que grita comigo por esse motivo, me sinto culpado.
Punir alguém por errar não reduz a probabilidade erro, ou seja, a culpa não resolve o problema. Mas se fizermos alguma coisa errada e for útil pedir desculpas para evitar a probabilidade de sermos punidos...