domingo, 17 de janeiro de 2010

DOR



Me intriga no corpo, a dor sentida
A sensação no peito, na partida
No palco, a dança, aplaudida
Na carta, a mensagem, recebida
A criação, a arte, concebida
Pelo trabalho, nas mãos, a ferida
O parto, a criança, acolhida
A marca, a pele, infligida

Pela ascensão do movimento, dor
Pela cessação do movimento, dor

nos faz parar
nos faz continuar
Dor...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Homogêneo


Vadiarei por entre as curvas do meu corpo

Nada será como era antes

E o pomposo deleite que me elicia

Não será o mesmo nunca

De novo, é novo

Conjugando minha inocência à minha indecência

No vagaroso ritmo, de me manipular, as conseqüências

Com os olhos entreabertos me exponho

ao meu âmbito particular, me reforço

Desvelados os mistérios do meu sangue e da minha carne

São emocionais, as respostas que anuncia, meu corpo

como que ardente,

como que lambido pelo sol,

tudo se mistura e se homogeneíza aqui dentro.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Estou apenas me esquivando

Quando não estou aqui para você me abraçar;
Quando não vou com você;
Quando não estou com você;
Quando pareço distante e indiferente;
Quando ergo um livro na minha frente;
Quando não chego na hora;
Quando saiu sem te avisar;
Quando não olho enquanto você me fala;
Quando não faço o que você me pede;
Quando não te conto os meus segredos;
Quando não conto para você... sobre mim


"Uma vez atingidos pela punição, faremos o que puder para desliga-la ou ir embora. Se não podemos fugir, ou se a situação provê reforçadores positivos suficientes para contrabalancear os negativos, podemos apenas nos desligar por algum tempo. Se nossa família, amigos, ou colegas de trabalho distribuem choques muito freqüente, ou se seus choques são muito intensos, podemos ir ao extremo de desistir, mesmo que isso signifique abdicar de reforçadores positivos. Não sofreríamos menos se, em vez de esperar receber um choque para então fugir, pudéssemos impedir o recebimento do choque? Não faríamos melhor esquivando-nos de choques? "(SIDMAN, 2003).

Ao convívio com as pessoas ao longo de nossa historia de reforçamento aprendemos a probabilizar muito sobre seus comportamentos e com isso as conseqüências prováveis para os nossos.

Por isso...
Não tenho culpa se não estou aqui para você me abraçar
Não tenho culpa se não vou com você
Não tenho culpa se não estou com você
Não tenho culpa se pareço distante e indiferente
Não tenho culpa se ergo um livro na minha frente
Não tenho culpa se não chego na hora
Não tenho culpa se saiu sem te avisar
Não tenho culpa se não olho enquanto você me fala
Não tenho culpa se não faço o que você me pede
Não tenho culpa se não te conto os meus segredos
Não tenho culpa se não conto para você... sobre mim
Estou apenas me esquivando