terça-feira, 21 de abril de 2009

Tato metaforico

“Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar”

(Martha Medeiros)


Nosso contexto social da bastante atenção aos relatos de sentimentos que emitimos enquanto tateamos o mundo, quando descrevemos os aspectos encobertos do que nos ocorre dando uma dica de como provavelmente a gente se comporta.

Segundo Skinner (1953), as emoções são excelentes exemplos das causas fictícias às quais comumente atribuímos o comportamento, por exemplo, como quando dizemos que alguém esta chorando porque esta triste; sendo que, choramos e ficamos tristes porque algo aconteceu (contexto antecedente).

Aquilo que sentimos e aquilo que dizemos que estamos sentindo podem estar sobre controle de contingências defendentes, pois aprendemos no nosso contexto social a dizer coisas sobre o que nos ocorre. Para Skinner, (1989) todas as palavras para os sentimentos devem ter começado com metáforas, e é importante que a transferência tenha sido sempre do público para o privado. Nenhuma palavra deve ter sido originada como um nome de um sentimento.

No caso do poema de Martha Medeiros, a extensão metafórica deve ter sido mediada por, digamos, uma resposta emocional que ocorre quando chove, quando esta calor de mais, quando o corpo dói, e assim por diante. Skinner (1957 p.91) explica que se uma resposta é reforçada numa dada ocasião ou classe de ocasiões, qualquer aspecto dessa ocasião ou que seja comum àquela classe parece ganhar alguma medida de controle.

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