
Na medida do que sou,
se não é natural,
delicado, fardo.
E pesam aqui,
firmemente, as palavras,
que não sibilam de ternura
o afago do destino.
Me olha, por acaso
[um registro], discerne,
me pontua com rigor,
no decoro, de súbito,
o marasmo.
Próximo de mim, o inferno, vermelho e quente.
Sai, de lá, o verbo, em estrela cadente;
A luz se desvanece, meio que de repente;
Meu corpo, agora negro, se torna evidente;
Solitário, ali, encontro-me plenamente,
afagado por algo que me machuca e mente,
que se envolve, dissimula, finge que sente,
alojado aqui dentro, definitivamente,
Próximo, bem próximo da gente.
No chão o traço,
o maço,
o caco.
Por horas as dores,
por dias os rumores,
nunca os amores.
Tudo engarrafado,
Envelhecido,
Envenenado,
Por fim, cerrado.



Vadiarei por entre as curvas do meu corpo
Nada será como era antes
E o pomposo deleite que me elicia
Não será o mesmo nunca
De novo, é novo
Conjugando minha inocência à minha indecência
No vagaroso ritmo, de me manipular, as conseqüências
Com os olhos entreabertos me exponho
ao meu âmbito particular, me reforço
Desvelados os mistérios do meu sangue e da minha carne
São emocionais, as respostas que anuncia, meu corpo
como que ardente,
como que lambido pelo sol,
tudo se mistura e se homogeneíza aqui dentro.