domingo, 26 de dezembro de 2010

"Atavismo"


Na medida do que sou,

se não é natural,

delicado, fardo.


E pesam aqui,

firmemente, as palavras,

que não sibilam de ternura

o afago do destino.


Me olha, por acaso

[um registro], discerne,

me pontua com rigor,

no decoro, de súbito,

o marasmo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sangrar


Sangra sagrado segredo

e se instala no suspiro

onde tudo se separa.


Sangra o sossego,

um sónico soluto

que se sabatina.


Sangra o seguro

sob este sobejo,

solfejo dessa sina

sábado, 4 de setembro de 2010

Vigília do infortúnio


Ei-lo vicário

Debruçado no fado,

baldado vicio

da inconsolável falta

Ei-lo vilão,

Inubil, fajuto

Simulacro vivo

Famigerado

Ei-lo vitima,

Iracundo fadigado,

Sob a vicissitude

Que o falece.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Anoite

I
Quando a noite escura ficar,
só assim me terá, disfarçado.
Olho no olho, sem esquivar,
tão próximo, encostado.
Dedos nos cabelos a afagar,
embora tu viestes despreocupado.


II
Então a cidade se elevou a diante.
No profundo poço do desejo,
ha escondido aqui dentro, o amante;
Contemplando, ao longe no horizonte, o ensejo.
Mostrai o teu amor na luz da estrela mais brilhante,
e se o amanhecer pareceu perdido e te vejo,
nela te sinto ainda mais radiante.

III
E se no final dessa estação
faltarem as palavras, as despedidas
e se a noite parecer de infinita lamentação
levai estas esperanças despedaçadas.
Mas, se minha sorte desposar teu coração,
E mais uma vez caricias forem trocadas
Oferecerei-me leal, em inteira devoção;
Satisfeito, inteiramente, das noites amadas

domingo, 20 de junho de 2010

Sol Niger


Próximo de mim, o inferno, vermelho e quente.

Sai, de lá, o verbo, em estrela cadente;

A luz se desvanece, meio que de repente;

Meu corpo, agora negro, se torna evidente;

Solitário, ali, encontro-me plenamente,

afagado por algo que me machuca e mente,

que se envolve, dissimula, finge que sente,

alojado aqui dentro, definitivamente,

Próximo, bem próximo da gente.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Solúvel


No fim, era o que se esperava;

Era torto, doente, mas não quebrava;

Era sóbrio de amores, que lamentava;

Devia a vida moedas que não lucrava;

Não agüentava o tempo, mas o esperava;

Atendo-se a arte do sangue que gotejava,

já falho, inquieto, suspirava e...

chorava.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

IRREVERSIVEL


De um lado para o outro
Ainda assim, nada se muda
É feito tempo, não se para
vira e mexe, não altera
vez por outra, se desespera
um erro, um tropeço, dispara
e passa, e foge e se dispersa

sábado, 24 de abril de 2010

O CACO


No chão o traço,

o maço,

o caco.

Por horas as dores,

por dias os rumores,

nunca os amores.

Tudo engarrafado,

Envelhecido,

Envenenado,

Por fim, cerrado.

sábado, 10 de abril de 2010

Desfaz


na vida o que se desfaz

é o que se disfarça,

cuja trama não ha quem faça,

o sangue, o suor de quem fracassa,

simula no peito a dor que destroça,

se desfaz e se diz farsa.

domingo, 4 de abril de 2010

Soy Asi!


Soy asi, como la luna llena se intenta
yo soy como la nube que a abraza
y mis pensamientos son como las sombras
que se imprimen en la tierra;
mis sentimientos son como la tierra
nutrida con las sobras y torper por la luz .
Soy así, como la noche,
simulando la soledad y el frío
para atraer a ella el día, que se trata de consolarla.

sábado, 3 de abril de 2010

Nosso Jazz


Se você pudesse ver
O jeito que tudo ficou
Na noite em que eu olhei para você
My lonely days are over

Há! Se você pudesse ver
sua boca e meus lábios
você em mim, debruçado
My heart was wrapped up in clover

Oh honey, se você pudesse ver
Como a lua ficou acentuada no céu
E eu ensandecido por esse encanto
Felicitado no conforto que teu calor exalou de mim
For you are my lover…
at last

domingo, 17 de janeiro de 2010

DOR



Me intriga no corpo, a dor sentida
A sensação no peito, na partida
No palco, a dança, aplaudida
Na carta, a mensagem, recebida
A criação, a arte, concebida
Pelo trabalho, nas mãos, a ferida
O parto, a criança, acolhida
A marca, a pele, infligida

Pela ascensão do movimento, dor
Pela cessação do movimento, dor

nos faz parar
nos faz continuar
Dor...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Homogêneo


Vadiarei por entre as curvas do meu corpo

Nada será como era antes

E o pomposo deleite que me elicia

Não será o mesmo nunca

De novo, é novo

Conjugando minha inocência à minha indecência

No vagaroso ritmo, de me manipular, as conseqüências

Com os olhos entreabertos me exponho

ao meu âmbito particular, me reforço

Desvelados os mistérios do meu sangue e da minha carne

São emocionais, as respostas que anuncia, meu corpo

como que ardente,

como que lambido pelo sol,

tudo se mistura e se homogeneíza aqui dentro.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Estou apenas me esquivando

Quando não estou aqui para você me abraçar;
Quando não vou com você;
Quando não estou com você;
Quando pareço distante e indiferente;
Quando ergo um livro na minha frente;
Quando não chego na hora;
Quando saiu sem te avisar;
Quando não olho enquanto você me fala;
Quando não faço o que você me pede;
Quando não te conto os meus segredos;
Quando não conto para você... sobre mim


"Uma vez atingidos pela punição, faremos o que puder para desliga-la ou ir embora. Se não podemos fugir, ou se a situação provê reforçadores positivos suficientes para contrabalancear os negativos, podemos apenas nos desligar por algum tempo. Se nossa família, amigos, ou colegas de trabalho distribuem choques muito freqüente, ou se seus choques são muito intensos, podemos ir ao extremo de desistir, mesmo que isso signifique abdicar de reforçadores positivos. Não sofreríamos menos se, em vez de esperar receber um choque para então fugir, pudéssemos impedir o recebimento do choque? Não faríamos melhor esquivando-nos de choques? "(SIDMAN, 2003).

Ao convívio com as pessoas ao longo de nossa historia de reforçamento aprendemos a probabilizar muito sobre seus comportamentos e com isso as conseqüências prováveis para os nossos.

Por isso...
Não tenho culpa se não estou aqui para você me abraçar
Não tenho culpa se não vou com você
Não tenho culpa se não estou com você
Não tenho culpa se pareço distante e indiferente
Não tenho culpa se ergo um livro na minha frente
Não tenho culpa se não chego na hora
Não tenho culpa se saiu sem te avisar
Não tenho culpa se não olho enquanto você me fala
Não tenho culpa se não faço o que você me pede
Não tenho culpa se não te conto os meus segredos
Não tenho culpa se não conto para você... sobre mim
Estou apenas me esquivando